terça-feira, 9 de julho de 2013

Dos bons costumes

Todo o ser humano tem uma consciência e vê-se observado, ameaçado e, em geral, conservado no assombro (respeito associado ao medo) por um juíz íntimo, e esta autoridade, vigilante da lei dentro dele, não é algo que ele (voluntariamente) produz, mas algo incorporado no seu ser. Acompanha-o como a sua sombra, quando ele planeia escapar. Ele pode, realmente, atordoar-se ou reduzir-se ao sono por força de prazeres e distrações, mas não consegue voltar a si ou despertar de tempo em tempo; e quando o faz, ouve imediatamente aquela voz terrível. Ele pode, no máximo, na extrema abjecção, conseguir não lhe dar mais atenção, mas não pode deixar de ouvi-la.

in A Metafísica dos Costumes de Immanuel Kant
Tradução adaptada de PT-BR para PT-PT

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